domingo, 21 de julho de 2013

Pesquisas com células-tronco para tratar o coração avançam no Brasil

Ao todo, 600 voluntários já participaram de um teste clínico considerado um dos maiores do mundo. A pesquisa envolve médicos e cientistas de 40 instituições do país.

O Jornal Nacional vai exibir, a partir desta quinta-feira (17), uma série de reportagens especiais sobre um setor da pesquisa científica que o mundo todo acompanha com atenção, e cheio de esperanças: as terapias experimentais com células-tronco que já estão sendo aplicadas em pessoas. O assunto de hoje é o tratamento de pacientes com problemas cardíacos.
Quem vê o aposentado Valter Lemos Filho bem disposto, não imagina como a saúde dele estava frágil. “Foram quatro enfartes”, conta ele.
Em 2010, ele apostou em um tratamento com células-tronco. Entre tantos avanços da medicina, o início do século XX foi marcado pela primeira vacinação em massa no Brasil. Depois, surgiram os antibióticos, com o uso em larga escala de remédios que salvaram milhões de vidas, e os transplantes viraram rotina nos anos 1980. No século XXI, a ciência avança nas pesquisas com células-tronco, a promessa da medicina regenerativa de usar um remédio que está dentro de nós.
O coração é um dos principais campos de estudo no Brasil. Uma novidade para o despachante aduaneiro Rosno Julião. “Estou otimista. Se não fizer bem, mal não vai fazer”, reflete ele.
A maca trazendo seu Julião surge no corredor. Ele participa de um teste clínico para casos de isquemia crônica, quando o coração não consegue receber o oxigênio necessário para funcionar bem. Há também testes para três outros tipos de insuficiência cardíaca. No caso do seu Julião, células-tronco adultas foram retiradas da medula óssea dele antes de uma cirurgia de revascularização para melhorar a circulação do sangue. Em seguida, as células-tronco foram levadas para um laboratório no Instituto de Cardiologia do Rio.
O processo do material retirado da medula óssea do paciente é sigiloso, e só o profissional que vai fazer esse trabalho é que na verdade sabe se o paciente vai receber implante de células-tronco mesmo ou um líquido, que é um placebo. A escolha é feita por sorteio, e o paciente não sabe o que vai receber.
"É o melhor padrão. Padrão ouro de um estudo que vise testar a eficácia de uma nova terapia", diz Antonio Carlos Campos de Carvalho, coordenador da pesquisa do Instituto Nacional de Cardiologia.
As células-tronco adultas foram, então, injetadas no coração do paciente. A expectativa é que elas possam restaurar a função cardíaca.
“Aquela área do coração que não tem como revascularizar, a gente procura injetar células-tronco na esperança que aquelas células-tronco se diferenciem em células do coração”, explica o cirurgião cardiovascular José Oscar Brito.
Ao todo, 600 voluntários já participaram desse teste clínico, considerado um dos maiores do mundo. A pesquisa envolve médicos e cientistas de 40 instituições do país.
“Seria a terapia ideal para um sistema público de saúde, porque você consegue processar essas células a baixo custo”, acrescenta Antonio Carlos Campos de Carvalho.
Imagens feitas durante uma pesquisa do Instituto do Coração, em São Paulo, mostram o caso de um paciente que melhorou: seis meses depois da cirurgia de revascularização e do implante com células-tronco, o coração ficou revigorado e batendo mais forte.
Seu Valter, como vimos no início da reportagem, voltou a ser ativo. “Meu coração está bom. Me abaixo, levanto, carrego alguma coisa, não altera nada”, comemora.
Os médicos ainda não prometem cura, mas o exemplo desse homem mostrou que a terapia tinha futuro: Nelson Águia estava desenganado quando recebeu, em 2001, a primeira aplicação no mundo de  células-tronco no coração. A lesão foi reduzida em quase 100%, e assim o paciente chegou aos 80 anos.
“Eu fiz com a maior satisfação, e com isso já estou aí há cerca de 12 anos”, contou ele em sua última entrevista. Ele morreu em setembro e deixou de herança um caminho que pode levar outros pacientes tão longe ou mais até do que ele foi.

Tratamento com células-tronco ajuda na recuperação de pacientes que tiveram AVC

Pacientes que tiveram células-tronco neurais injetadas no cérebro apresentaram melhoras nas funções cognitiva e motora

células-tronco
Células-tronco: os pacientes que receberam o tratamento apresentarem melhoras no equilíbrio, mobilidade e força das mãos (Thinkstock)
O primeiro teste clínico de um tratamento com células-tronco para vítimas de acidente vascular cerebral (AVC) apresentou resultados positivos. Realizado pela Universidade de Glasgow, na Inglaterra, o estudo será apresentado durante a Conferência Europeia sobre Derrame - que começa hoje em Londres e prossegue até 31 de maio.
De acordo com Keith Muir, pesquisador que está liderando o estudo, os nove pacientes que receberam o tratamento não tiveram efeitos adversos. Além disso, cinco deles apresentaram uma melhora de leve a moderada nas funções cognitiva e motora — equilíbrio, mobilidade e força nas mãos. Com isso, houve aumento na capacidade desses pacientes de realizar tarefas do dia-a-dia de forma independente.
Muir afirmou que os resultados ultrapassaram suas expectativas. Ele ressalta, porém, que ainda é difícil saber o quanto dessa melhora se deve exclusivamente ao tratamento, ou se pode ter havido algum tipo de efeito placebo.
Estudo — Os nove participantes do estudo tinham de 60 a 80 anos e haviam sofrido derrames de seis meses a cinco anos antes do início do tratamento. Eles tiveram células-tronco neurais injetadas diretamente na parte do cérebro que sofreu danos relacionados ao AVC.
A segunda fase dos testes clínicos, que tem por objetivo avaliar a eficácia do tratamento, deve ter início no segundo semestre deste ano. A ideia é que ela envolva inicialmente cerca de 20 pacientes que tenham sofrido um AVC há poucas semanas. Para que o estudo em torno de um novo tratamento seja concluído, é necessário que ele passe por três fases de testes clínicos.

Células-tronco da pele podem tratar insuficiência cardíaca

Cientistas mostraram que células adultas reprogramadas são capazes de se transformar em tecido do músculo do coração e regenerar órgão danificado

Células-tronco: tratamento após sessões da radiação pode devolver habilidades cognitivas a pacientes com câncer no cérebro
Células-tronco: cientistas conseguiram transformar células da pele em tecido do músculo do coração para tratar insuficiência cardíaca (Thinkstock)
Pela primeira vez, cientistas conseguiram retirar células-tronco pluripotentes induzidas da pele de pacientes com insuficiência cardíaca e transformá-las em um tecido saudável do coração. O estudo envolveu camundongos, mas, segundo os pesquisadores, a pesquisa indica que no futuro pacientes com problemas no coração  poderão ser curados com suas próprias células reprogramadas. Os resultados foram publicados nesta terça-feira no periódico European Heart Journal.
A pesquisa foi desenvolvida no Instituto de Tecnologia de Israel, na cidade de Haifa. A equipe retirou células-tronco da pele de dois homens com insuficiência cardíaca — um de 51 anos e outro de 61 anos — e alteraram o material genético delas. Depois, em laboratório, a equipe injetou as células reprogramadas em um tecido muscular cardíaco e transplantaram o novo tecido para o coração de camundongos. Os cientistas descobriram que as células conseguiram se transformar em células saudáveis do coração capazes de reparar danos no órgão. Não houve rejeição do tecido cardíaco original.
De acordo com os especialistas, embora os resultados sejam animadores, é importante que os pacientes saibam de que ainda é preciso muito estudo para que o procedimento se torne um tratamento clínico para insuficiência cardíaca. Os autores acreditam que os ensaios clínicos só poderão começar a ser feitos dentro de dez anos.

Estudo First-in-Man utilizando Células Tronco na Miocardiopatia Dilatada Não Isquêmica – Por Cristiano Cardoso

Recentes trabalhos têm mostrado o benefício da terapia celular em pacientes com miocardiopatia dilatada isquêmica e pós-infarto agudo do miocárdio. No entanto, em portadores de miocardiopatia dilatada idiopática, as células tronco não foram efetivamente testadas.
Essa semana, porém, foi publicado no Journal of American College of Cardiology (J Am Coll Cardiol 2006; 48: 2350-2351) o primeiro estudo em humanos (First-in-Man) utilizando essa terapia. O ABCD trial randomizou 44 pacientes com diagnóstico de miocardiopatia dilatada não isquêmica para tratamento com células tronco (CT, n=24) ou controle (Cont, n=20). Os critérios de inclusão foram presença de insuficiência cardíaca classe II-IV, fração de ejeção (FE) <35% e coronárias normais. O objetivo principal do estudo foi mudança na classe funcional, melhora na função ventricular e mortalidade. Após aspiração de medula óssea (50-60 ml), a fração mononuclear foi separada utilizando gradiente de densidade (Ficoll), e as células injetadas por uma técnica modificada. Por cateterismo cardíaco direito, o seio coronário foi obstruído com cateter de Swan-Ganz. Após a obstrução da drenagem venosa, 2/3 das células foram injetadas diretamente na coronária esquerda e, o restante, na coronária direita. No dia seguinte os pacientes foram liberados, sendo acompanhados clinicamente com 1 semana, 1 e 3 meses, e a seguir anualmente. A avaliação da terapia foi feita por ecocardiograma com estimativa da FE por método de Simpson. Atualmente com 6 meses de seguimento, o grupo que recebeu as células apresentou melhora na FE (20±7.4% para 25±12% no CT x 15±5.4% para 16±4.7% no Cont, p<0.05) e redução no volume sistólico final (144±85ml para 116±68ml no CT, p<0.05). Não houve alterações em ambos os grupos relacionados ao volume diastólico final. Com relação à mortalidade, nenhuma diferença significativa foi observada. Quatro pacientes morreram no grupo CT e 2 no controle. Considerando a mudança na classe funcional, no grupo tratado 16 pacientes (62%) regrediram para NYHA classe I, enquanto que no grupo controle somente 2 (10%) pacientes apresentaram melhora (p<0.0001). Outro aspecto importante no estudo foi a realização de biópsia miocárdica no início e aos 3 meses de acompanhamento. Não foram evidenciadas alterações inflamatórias, aumento na densidade capilar ou no número de miócitos.
Expandindo o uso de células tronco além da cardiopatia isquêmica:
Esse estudo marca um novo rumo na utilização da terapia celular para tratamento da insuficiência cardíaca. É o primeiro trial em humanos testando as células tronco nesse cenário clínico e mostrando bons resultados. A divulgação desse trabalho vem encorajar, ainda mais, os pesquisadores desse campo. Outro ponto interessante foi a técnica de injeção, que usou uma variação da infusão retrógrada pelo seio coronário associado com a infusão direta intracoronária.
Portanto, essa é a mais nova evidência da utilização da terapia celular na miocardiopatia dilatada não isquêmica. Com esses dados inicias estimulantes, o grupo planeja um novo estudo duplo-cego e randomizado para atestar a superioridade de tratamento de um grupo sob outro.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

AVANÇOS NO TRATAMENTO DA CARDIOPATIA COM CÉLULAS-TRONCO AUTÓLOGO DA MEDULA ÓSSEA

AVANÇOS NO TRATAMENTO DA CARDIOPATIA COM CÉLULAS-TRONCO AUTÓLOGO DA MEDULA ÓSSEA
Células-tronco são as células com capacidade de auto-replicação, isto é, com capacidade de gerar uma cópia idêntica a si mesma e com potencial de diferenciar-se em vários tecidos.  Recentemente, a terapia com células-tronco hemopoéticas (CTH) e o transplante de medula óssea (TMO) estavam restritos ao tratamento de portadores de hematopatias e tumores sólidos. O procedimento, antes especulativo e experimental, sedimentou-se ao longo dos anos e modificou a história natural de diversas doenças consideradas incuráveis, como a anemia aplástica e a leucemia mielóide crônica, que passaram a ter uma perspectiva de cura, fato até então impensável.
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Os estudos clínicos utilizando células tronco da medula óssea em cardiologia começaram no Brasil em 2002, usando como premissa para a sua realização dados laboratoriais obtidos com modelos animais que demonstravam a melhora funcional e isquêmica  de áreas do coração quando as células-tronco eram utilizadas em animais com infarto agudo do miocárdio.
No Brasil, em 2004 durante o 3º Congresso Brasileiro de Insuficiência Cardíaca, foi apresentado um estudo, o qual, Vilas-Boas et al  realizaram transplante de células autólogas de medula óssea em pacientes com cardiomiopatia dilatada devida à doença de Chagas. As células tronco foram injetadas na coronária de 10 pacientes aqual foram acompanhados por um período seis meses de 10 pacientes. O procedimento demontrou ausência de complicações e melhora significativa dos parâmetros funcionais já nos primeiros 30 dias após o transplante.
Outro estudo realizado por Strauer et al. foram transplantados células autólogas mononucleares da medula óssea em 10 pacientes com infarto agudo do miocárdio. As células mononucleares foram obtidas de cerca de 40 mL de medula óssea dos próprios pacientes, aspirados em pontos diferentes de ambas as cristas ilíacas e separadas por gradiente de densidade com Ficoll. Durante a angioplastia coronariana, essas células foram injetadas na artéria que irriga a região infartada por meio de cateterbalão. Nos três primeiros meses de seguimento, houve diminuição da área infartada (ventriculografia esquerda), além de aumento da contratilidade da parede afetada. Os resultados mostraram que o transplante de células de medula óssea possibilita a reparação tissular quando realizado num período de cinco a nove dias pós-infarto.
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A área de doenças cardiovasculares esta entre as mais estudadas quanto ao potencial terapêutico das células-tronco de medula óssea. Muitos estudos vem demostando eficácia  e segurança da terapia com células tronco autólogas da medula óssea em doenças cardiovasculares.

Uso de terapia regenerativa com células-tronco da medula óssea em doenças cardiovasculares – perspectiva do hematologista

http://www.scielo.br/pdf/%0D/rbhh/v27n2/v27n2a13.pdf